quinta-feira, 9 de abril de 2009

Laissez-faire

Eu estava no sofá, confortavelmente ébrio do conforto morno de um assento após longa jornada, longo dia. O sofá pode ser meu melhor amigo num dia como hoje; um sofá e um copo sextavado com vodca e energético. O que eu digo não se escreve, é a frase que ecoa, mas quem disse isso mesmo? É a vodca fazendo efeito. Não tomo qualquer vodca, aliás. Gosto e compro aquele importada, cara, que vem na embalagem de lantejoulas vermelhas. Dizendo o óbvio: Pois sim, quem liga? Tenho para mim, nesse instante, que só o álcool traz a verdade. Bandeira disse que não queria um lirismo que não fosse libertação; eu quero ser livre, porra. E mande-me outra dose; se houvesse garçom. Garçom não há... ah, fico drummondiando e que é da dose? Levanto e constato que o energético acabou. Pena, refrigerante light serve. Amanhã será dia de ressaca. Hang over, né? Rio comigo. Lembro que aprendi essa expressão inglesa quando atravessava a linha do trem em Santos Dumont, Minas. Há alguma relevância a geografia da memória? Não sei, os ébrios, bêbados mesmo, devem ter alguma teoria. Eu fico com a memória. Hang over, Santos Dumont, Jorge, linha do trem. Assim eu lembro e construo alguma história. Por que foi mesmo que ele me ensinou essa expressão?... Ah, foi por causa do engov. Por que o engov entrou na história? Sei lá. Sei lá pra tanta coisa, ainda mais agora, com a vodca me inspirando.

Só penso em ser livre e esse paradoxo de merda me corrói. Corrói perdeu o acento? Acho que não, e rio desse achar. Peraí, rir é defectivo, porra? Ops, vão me acusar de metalinguagem gratuita. Esquece o Jabuti. Falou do Jabuti já era o Jabuti. Agora há dois eus? O sóbrio e o de quinta-feira santa, chapado de vodca? Rará. Ok, falando sério: há dois eus?

Voltando ao paradoxo: que porra é essa que estou vivendo? Para quem não sabe, eu sou um homem casado. Tudo bem, casado é uma expressãop forte, mas é assim mesmo. Cidadão respeitável, elite intelectual. Merda nenhuma, é isso que eu sou. Meu pai estava certo, devia ter feito medicina e me afogado na ganância. Greed, greedy; saco, o Jorge sempre me vem pelo inglês, o inglês que eu nunca falarei como ele. Não é inveja; é admiração, mas como dizer isso agora? Veio o tempo do soco e que eu fiz? Tomei a porrada, oras, o que mais eu poderia ter feito? Tomar porrada é genial, é subversivo.

Ethos ébrio ou ethos bêbado? Meu chapa Bukowski me sussurrou em sonho que preferia engolir um de seus gagalhões (péssima tradução) a ser referido assim. Eu, quando limpo dessa vodca toda, gosto do ethos, estudo o ethos. Para quê? Ora... não, eu já usei "ora"... vou escrever "pois bem". Pois bem, estudo o ethos porque é... lícito? Acadêmico?... Bof... estudo porque é o meu jeito "feggish" de gritar eu, de escancarar minhas feridas úmidas de pus e lágrimas... poesia carnal.

A mão esquerda vai errando mais que a direita. Por um breve momento, o lado direito do cérebro genializa deixar as grafias embrigadas pelo caminho. Não me julguem; nem julguem meu pobre hemisfério cerebral. Em tempos de crocodilos filósofos, tirados sei bem da sessão das dez do SBT (perdão, amigo), é imperativo essa viés new, plural, criativo, inventivo...ivos aí. A filosofia da cachaça é melhor que a do crocodilo, ou jacaré... era um jacaré nos esgotos de são paulo? Para ser sincero. só li a crítica. O pai da "obra"... ops, sorry again... é conhecido de longa data, não valia a pena lê-lo. Espero que ele não me mortifique por isso; juro que não há melindre literário algum. Eu, na verdade, escrevo para esbofetear, mas que merece o tabefe nunca me lê, jamais lerá.

Se eu falar da minha vida nesse exato instante, seria excesso de pedantismo (e veja, leitor, que eu já reconheço meu pedantismo, antes que você de vire para o lado e comente que eu sou pedante). Gosto dos entornos. O copo quase vazio é básico. Eu já disse que é sextavado? Creia-me, é importante. Eu já disse que sou a reencarnação de Tito Lívio? Pois é, inventei essa mentalmente; gosto de provocar os espíritas só na minha cabeça para ver se eles me sacam; eles nunca sacam.

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